Interessam-se realmente por isso? Suponho que sim, pois, de outro modo, não fariam a pergunta. Mas, um momento: por que perguntam se existe uma vida futura? Só por divertimento, curiosidade, porque estão atemorizados com o presente e, portanto, pretendem saber qual será o futuro, ou simplesmente para aprender? Ora, sabem que alguns cientistas modernos, bem conhecidos, estão afirmando que existe uma vida futura. Dizem eles que, através de médiuns, podemos descobrir que existe uma vida após a morte. Muito bem, tomemos isso como decidido, que ela existe. Que acontece se existir uma vida futura? Que fizeram ao descobrir que existe uma vida futura? Não são, por isso, nem mais felizes nem mais inteligentes nem mais humanos nem mais sensatos nem afetuosos. Estão onde sempre estiveram. Tudo que aprenderam foi outro fato – o de que existe uma vida depois desta. Isso pode ser um consolo, mas o que resulta daí? Dirão: “Isso me dá a certeza de que viverei na próxima vida”. Mais uma vez: o que decorre daí? Mesmo que isso lhes dê a certeza de que viverão, defrontam-se ainda com os mesmos problemas, os mesmos aborrecimentos, as mesmas alegrias e prazeres transitórios, não obstante exista outra vida. Para mim, embora ela seja um fato, é de pouca importância. Senhor, a imortalidade não está no futuro; a imortalidade, a eternidade, ou como queiram chamá-la, está no agora, no presente, e só poderão compreender o presente quando a mente estiver liberta do tempo.
[...]
Receio que o interrogante esteja desapontado. Ele deseja saber se há ou não há – quer uma resposta categórica: sim ou não. Lamento não haver resposta categórica para dar. Cuidado com as respostas categóricas – sim e não. Não será, na realidade, mais importante saber viver do que verificar o que acontece quando se morre? Só aquele que já está morrendo é que quer saber o que acontece após a morte; não, aquele que está vivo. Perguntemos e procuremos, portanto, como viver ricamente, humanamente, completamente, divinamente em vez de tentar averiguar o que está para além. Saberão, depois, o que está para além, quando souberem como viver supremamente, inteligentemente. Só então saberão o que está para além. Mas essa descoberta, então, não será uma coisa teórica; será um fato.
Aí, então, vão descobrir que isso tem muito pouca significação, pois não existe além. A vida é um todo completo, sem começo nem fim. É esse êxtase, essa sabedoria, que produz a plenitude do viver no presente.
Krishnamurti
Texto na íntegra
sexta-feira, 24 de março de 2006
quinta-feira, 9 de março de 2006
Linguagem correta
Meu mestre dizia, “Se você não consegue controlar a sua boca, não existe esperança de que irá controlar a sua mente.” Por essa razão a linguagem correta é tão importante na prática diária.
A Linguagem Correta explicada em termos negativos significa evitar quatro tipos de linguagem que são prejudiciais: mentiras (palavras que são ditas com a intenção de distorcer a verdade); maldosas (palavras ditas com a intenção de separar as pessoas); grosseiras (palavras ditas com a intenção de ferir outra pessoa emocionalmente); e frívolas (palavras ditas sem a intenção de algum significado).
Observe o foco na intenção: é nesse ponto que a prática da linguagem correta cruza com o treinamento da mente. Antes de você falar, você foca no porquê você quer falar. Isso ajuda você a tomar contato com todas as maquinações que estão ocorrendo no comitê de vozes que dirigem a sua mente. Se você percebe alguma motivação inábil se ocultando por detrás das decisões do comitê, você poderá vetá-las. Como resultado você estará mais atento consigo mesmo, mais honesto consigo mesmo, mais firme consigo mesmo. Você também evita dizer coisas das quais se arrependerá mais tarde. Dessa forma você fortalece qualidades da mente que lhe auxiliarão na meditação, ao mesmo tempo que evita qualquer tipo de recordação dolorosa que atrapalharia a atenção no momento presente, quando chegar a ocasião de meditar.
Em termos positivos, a linguagem correta significa falar de forma honesta, harmoniosa, confortante e digna de ser levada a sério. Quando você pratica essas formas positivas de linguagem correta as suas palavras se convertem em bênçãos para os outros. Em resposta, as outras pessoas irão prestar mais atenção àquilo que você tem a dizer e provavelmente irão responder da mesma forma. Isso lhe dá uma idéia do poder das suas ações: a maneira como você age no momento presente de fato molda o mundo das suas experiências. Você não precisa ser uma vítima de eventos passados.
Para muitos de nós a parte mais difícil da prática da linguagem correta se encontra na forma como expressamos nosso senso de humor. Especialmente quando damos boas gargalhadas através do exagero, sarcasmo, estereótipos e pura bobagem – todos exemplos clássicos de linguagem incorreta. Se as pessoas se acostumam com esse tipo de humor negligente, elas irão parar de ouvir com cuidado aquilo que temos a dizer. Dessa forma vulgarizamos o nosso discurso. Na verdade já existe ironia suficiente no mundo portanto, não precisamos exagerar ou ser sarcásticos. Os melhores humoristas são aqueles que simplesmente nos fazem ver diretamente as coisas como elas são.
Expressar o nosso humor de forma honesta, útil e sábia pode exigir que pensemos e nos esforcemos, mas quando nos tornamos mestres nesse tipo de sutileza nos damos conta de que o esforço valeu a pena. Aguçamos a nossa mente e melhoramos a nossa linguagem. Dessa forma, mesmo as nossas piadas se tornam parte da nossa prática: uma oportunidade para desenvolver qualidades positivas na mente e oferecer algo de valor intelectual para as pessoas que nos rodeiam.
Assim, tenha muito cuidado com aquilo que você diz – e com o porquê você o diz. Ao fazer isso, descobrirá que uma boca aberta não é necessariamente um erro.
Thanissaro Bhikkhu
A Linguagem Correta explicada em termos negativos significa evitar quatro tipos de linguagem que são prejudiciais: mentiras (palavras que são ditas com a intenção de distorcer a verdade); maldosas (palavras ditas com a intenção de separar as pessoas); grosseiras (palavras ditas com a intenção de ferir outra pessoa emocionalmente); e frívolas (palavras ditas sem a intenção de algum significado).
Observe o foco na intenção: é nesse ponto que a prática da linguagem correta cruza com o treinamento da mente. Antes de você falar, você foca no porquê você quer falar. Isso ajuda você a tomar contato com todas as maquinações que estão ocorrendo no comitê de vozes que dirigem a sua mente. Se você percebe alguma motivação inábil se ocultando por detrás das decisões do comitê, você poderá vetá-las. Como resultado você estará mais atento consigo mesmo, mais honesto consigo mesmo, mais firme consigo mesmo. Você também evita dizer coisas das quais se arrependerá mais tarde. Dessa forma você fortalece qualidades da mente que lhe auxiliarão na meditação, ao mesmo tempo que evita qualquer tipo de recordação dolorosa que atrapalharia a atenção no momento presente, quando chegar a ocasião de meditar.
Em termos positivos, a linguagem correta significa falar de forma honesta, harmoniosa, confortante e digna de ser levada a sério. Quando você pratica essas formas positivas de linguagem correta as suas palavras se convertem em bênçãos para os outros. Em resposta, as outras pessoas irão prestar mais atenção àquilo que você tem a dizer e provavelmente irão responder da mesma forma. Isso lhe dá uma idéia do poder das suas ações: a maneira como você age no momento presente de fato molda o mundo das suas experiências. Você não precisa ser uma vítima de eventos passados.
Para muitos de nós a parte mais difícil da prática da linguagem correta se encontra na forma como expressamos nosso senso de humor. Especialmente quando damos boas gargalhadas através do exagero, sarcasmo, estereótipos e pura bobagem – todos exemplos clássicos de linguagem incorreta. Se as pessoas se acostumam com esse tipo de humor negligente, elas irão parar de ouvir com cuidado aquilo que temos a dizer. Dessa forma vulgarizamos o nosso discurso. Na verdade já existe ironia suficiente no mundo portanto, não precisamos exagerar ou ser sarcásticos. Os melhores humoristas são aqueles que simplesmente nos fazem ver diretamente as coisas como elas são.
Expressar o nosso humor de forma honesta, útil e sábia pode exigir que pensemos e nos esforcemos, mas quando nos tornamos mestres nesse tipo de sutileza nos damos conta de que o esforço valeu a pena. Aguçamos a nossa mente e melhoramos a nossa linguagem. Dessa forma, mesmo as nossas piadas se tornam parte da nossa prática: uma oportunidade para desenvolver qualidades positivas na mente e oferecer algo de valor intelectual para as pessoas que nos rodeiam.
Assim, tenha muito cuidado com aquilo que você diz – e com o porquê você o diz. Ao fazer isso, descobrirá que uma boca aberta não é necessariamente um erro.
Thanissaro Bhikkhu
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006
Homens livros
O Universo é uma imensa livraria. A Terra é apenas uma de suas estantes.Somos os livros colocados nela.
Da mesma maneira que as pessoas compram livros, apenas pela beleza da capa, sem pesquisarem o índice e conteúdo do mesmo, muitas pessoas avaliam os outros pela aparência externa, pela capa física, sem considerarem a parte interna.
Outras procuram livros com títulos bombásticos, sensacionalistas histórias de terror ou romances profundos.
Também é assim com as pessoas: há aquelas que buscam sensacionalismos baratos, dramas alheios ou apenas um romance.
Somos homens-livros lendo uns aos outros.Podemos ficar só na capa ou aprofundarmos nossa leitura até as páginas vivas do coração.
A capa pode ser interessante, mas é no conteúdo que brilha a essência do texto. O corpo pode ter uma bela plástica, mas é o espírito que dá brilho aos olhos.
Também podemos ler nas páginas experientes da vida muitos textos de sabedoria.Depende do que estamos buscando na estante.
Podemos ver em cada homem-livro um texto-espírito impresso nas linhas do corpo.Deus colocou sua assinatura divina ali, nas páginas do coração, mas só quem lê o interior descobre isso.
Só quem vence a ilusão da capa e mergulha nas páginas da vida íntima de alguém, descobre seu real valor, humano e espiritual.
Que todos nós possamos ser bons leitores conscientes.
Que nas páginas de nossos corações, possamos ler uma história de amor profundo.Que em nossos espíritos possamos ler uma história imortal.
E que, sendo homens-livros, nós possamos ser leitura interessante e criativa nas várias estantes da livraria-universo.A capa amassa e as folhas podem rasgar. Mas, ninguém amassa ou rasga as idéias e sentimentos de uma consciência imortal.
O que não foi bem escrito em uma vida, poderá ser bem escrito mais à frente, em uma próxima existência ou além …
Mas, com toda certeza, será publicado pela editora da vida, na estante terrestre…
…ou em qualquer outra estante por aí.
Texto: Homens-Livros, tradução de Wagner Borges.
Da mesma maneira que as pessoas compram livros, apenas pela beleza da capa, sem pesquisarem o índice e conteúdo do mesmo, muitas pessoas avaliam os outros pela aparência externa, pela capa física, sem considerarem a parte interna.
Outras procuram livros com títulos bombásticos, sensacionalistas histórias de terror ou romances profundos.
Também é assim com as pessoas: há aquelas que buscam sensacionalismos baratos, dramas alheios ou apenas um romance.
Somos homens-livros lendo uns aos outros.Podemos ficar só na capa ou aprofundarmos nossa leitura até as páginas vivas do coração.
A capa pode ser interessante, mas é no conteúdo que brilha a essência do texto. O corpo pode ter uma bela plástica, mas é o espírito que dá brilho aos olhos.
Também podemos ler nas páginas experientes da vida muitos textos de sabedoria.Depende do que estamos buscando na estante.
Podemos ver em cada homem-livro um texto-espírito impresso nas linhas do corpo.Deus colocou sua assinatura divina ali, nas páginas do coração, mas só quem lê o interior descobre isso.
Só quem vence a ilusão da capa e mergulha nas páginas da vida íntima de alguém, descobre seu real valor, humano e espiritual.
Que todos nós possamos ser bons leitores conscientes.
Que nas páginas de nossos corações, possamos ler uma história de amor profundo.Que em nossos espíritos possamos ler uma história imortal.
E que, sendo homens-livros, nós possamos ser leitura interessante e criativa nas várias estantes da livraria-universo.A capa amassa e as folhas podem rasgar. Mas, ninguém amassa ou rasga as idéias e sentimentos de uma consciência imortal.
O que não foi bem escrito em uma vida, poderá ser bem escrito mais à frente, em uma próxima existência ou além …
Mas, com toda certeza, será publicado pela editora da vida, na estante terrestre…
…ou em qualquer outra estante por aí.
Texto: Homens-Livros, tradução de Wagner Borges.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006
O tigre de pelúcia
Quando não conhecemos a natureza da mente, vivemos, no entanto, na convicção de que os pensamentos existem realmente. Sendo tomados por reais, tornam-se causa de sofrimento. Vemos pessoas a tal ponto atormentadas por um pensamento que elas deixam de comer, tornam-se magras e pálidas, olhos cavos e sem expressão. Essas repercussões físicas ilustram bem a força dos pensamentos tomados por reais.
Fabricam-se, para uso das crianças, animais em pelúcia, às vezes assemelhando-se muito com os verdadeiros. Os tigres, os leões, os leopardos mostram numa mandíbula aberta presas ameaçadoras, e fixam sobre sua presa olhos pavorosos. Uma criança bem pequena pode ter medo de um tigre de pelúcia, acreditando-se em presença de uma ameaça efetiva. Sua confusão é a única causa de seu sofrimento. Lá onde não há tigre, ela crê haver um. Inversamente, a mesma criancinha ficará muito feliz com um cavalo em pelúcia, concedendo-lhe uma existência real, investindo-o da gentileza e da doçura de um autêntico cavalo. Ao não reconhecermos a natureza de nossos pensamentos, somos semelhantes a essa criancinha: tomamos por real o que não é e, daí, experimentamos sofrimentos e alegrias.
O meditador que, ao contrário, realiza o mahamudra, isto é, reconhece a verdadeira natureza de sua mente, é comparável a um adulto que não se enganara com uma imitação de tigre ou cavalo. “É bem feito, pensará o adulto; dir-se-ia um tigre, dir-se-ia um cavalo.” Mas ele não se equivoca quanto à realidade do objeto e não é, portanto, levado a reagir como o faria diante de um verdadeiro tigre ou de um verdadeiro cavalo. Ele está livre dos medos e das alegrias que a situação efetiva causaria. Assim também, para aquele que realizou o mahamudra, os pensamentos, cujo caráter irreal é desmascarado, não dão mais lugar a complicações emocionais: eles não engendram nem sofrimentos, nem alegrias.
Aparecem em nossa mente todos os tipos de pensamentos e imagens; mas eles não têm existência real. Lhaktong reconhece simultaneamente as manifestações mentais e sua ausência de existência real. Não se trata em absoluto de apagar a manifestação, nem renegar a faculdade criadora da mente, mas ver seu caráter desprovido de existência própria. Um falso tigre não deixa de aparecer com uma forma: é o aspecto manifestação. Saber, por outro lado, que ele não é real, corresponde ao aspecto vacuidade. A visão superior reconhece ao mesmo tempo a forma do tigre e sua irrealidade, a união da manifestação e da vacuidade.
Isso não significa em absoluto que a mente permanece desde então numa espécie de indiferença permanente, entediante e opaca. A mente experimenta, ao contrário, sua própria felicidade, sem medida comum com as alegrias ordinárias, a tal ponto que é considerada para além dos conceitos de alegria e não-alegria. A mente de um ser liberto está não apenas além do sofrimento, ela é por natureza e de maneira inalterável, paz, lucidez, inteligência, felicidade, amor e poder, infinitamente mais vivo do que o somos.
Texto na íntegra
Fabricam-se, para uso das crianças, animais em pelúcia, às vezes assemelhando-se muito com os verdadeiros. Os tigres, os leões, os leopardos mostram numa mandíbula aberta presas ameaçadoras, e fixam sobre sua presa olhos pavorosos. Uma criança bem pequena pode ter medo de um tigre de pelúcia, acreditando-se em presença de uma ameaça efetiva. Sua confusão é a única causa de seu sofrimento. Lá onde não há tigre, ela crê haver um. Inversamente, a mesma criancinha ficará muito feliz com um cavalo em pelúcia, concedendo-lhe uma existência real, investindo-o da gentileza e da doçura de um autêntico cavalo. Ao não reconhecermos a natureza de nossos pensamentos, somos semelhantes a essa criancinha: tomamos por real o que não é e, daí, experimentamos sofrimentos e alegrias.
O meditador que, ao contrário, realiza o mahamudra, isto é, reconhece a verdadeira natureza de sua mente, é comparável a um adulto que não se enganara com uma imitação de tigre ou cavalo. “É bem feito, pensará o adulto; dir-se-ia um tigre, dir-se-ia um cavalo.” Mas ele não se equivoca quanto à realidade do objeto e não é, portanto, levado a reagir como o faria diante de um verdadeiro tigre ou de um verdadeiro cavalo. Ele está livre dos medos e das alegrias que a situação efetiva causaria. Assim também, para aquele que realizou o mahamudra, os pensamentos, cujo caráter irreal é desmascarado, não dão mais lugar a complicações emocionais: eles não engendram nem sofrimentos, nem alegrias.
Aparecem em nossa mente todos os tipos de pensamentos e imagens; mas eles não têm existência real. Lhaktong reconhece simultaneamente as manifestações mentais e sua ausência de existência real. Não se trata em absoluto de apagar a manifestação, nem renegar a faculdade criadora da mente, mas ver seu caráter desprovido de existência própria. Um falso tigre não deixa de aparecer com uma forma: é o aspecto manifestação. Saber, por outro lado, que ele não é real, corresponde ao aspecto vacuidade. A visão superior reconhece ao mesmo tempo a forma do tigre e sua irrealidade, a união da manifestação e da vacuidade.
Isso não significa em absoluto que a mente permanece desde então numa espécie de indiferença permanente, entediante e opaca. A mente experimenta, ao contrário, sua própria felicidade, sem medida comum com as alegrias ordinárias, a tal ponto que é considerada para além dos conceitos de alegria e não-alegria. A mente de um ser liberto está não apenas além do sofrimento, ela é por natureza e de maneira inalterável, paz, lucidez, inteligência, felicidade, amor e poder, infinitamente mais vivo do que o somos.
Texto na íntegra
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006
Manifesto Rosacruz
[...] Quanto às grandes religiões, consideramos que elas manifestam atualmente dois movimentos contrários: um, centrípeto e, o outro, centrífugo. O primeiro consiste numa prática radical que se pode observar sob forma de integrismos no seio do cristianismo, do judaísmo, do islamismo ou do hinduísmo, entre outros. O segundo se traduz por um abandono de seu credo em geral e de seus dogmas em particular. O indivíduo não mais aceita manter-se na periferia de um sistema de crenças, mesmo que se trate de uma religião dita revelada. Doravante, ele quer se colocar no centro de um sistema de pensamento resultante de sua própria experiência. Nisso, a aceitação dos dogmas religiosos não é mais automática. Os crentes adquiriram certo senso crítico a respeito das questões religiosas e a validade de suas convicções corresponde cada vez mais a uma validação pessoal. Onde a necessidade de Espiritualidade produziu outrora algumas religiões com forma arborescente (a forma de uma árvore bem enraizada em seu solo sócio-cultural, que elas aliás contribuíram para enriquecer), hoje ela toma a forma de uma estrutura em rizoma, feita de arbustos múltiplos e variados. Mas, o Espírito não sopra onde quer? [...]
[...] No que concerne à moral, no sentido que damos a esta palavra que se tornou ambígua, consideramos que ela está cada vez mais injuriada. Para nós ela não designa obediência cega a regras (para não dizer a dogmas) sociais, religiosas, políticas ou outras. Ora, é assim que muitos de nossos concidadãos percebem a moral dos nossos dias e daí vem sua atual rejeição. Consideramos antes que ela se relaciona com o respeito que todo indivíduo deveria ter para com ele próprio, os outros e o ambiente. O respeito a si mesmo consiste em viver segundo suas próprias idéias e não em se fundamentar nos comportamentos que se reprova nos outros. O respeito aos outros consiste, simplesmente, em não fazermos ao nosso semelhante o que não gostaríamos que ele nos fizesse, o que todos os sábios do passado ensinaram. Quanto ao respeito ao ambiente, ousamos dizer que ele vem naturalmente: respeitar a natureza e preservá-la para as gerações futuras. Vista sob esse ângulo, a moral implica um equilíbrio entre os direitos e os deveres de cada um, o que lhe dá uma dimensão humanística que nada tem de moralizadora. [...]
[...] No tocante às relações do Ser Humano com seus semelhantes, consideramos que elas são cada vez mais interesseiras e deixam cada vez menos lugar ao altruísmo. É verdade que se manifestam impulsos de solidariedade, mas isso acontece o mais das vezes fortuitamente, por ocasião de catástrofes (inundações, tempestades, tremores de terra, etc.). Em situações normais, é o cada um por si que predomina nos comportamentos. Pensamos que também essa ascensão do individualismo é uma conseqüência do materialismo excessivo que grassa atualmente nas sociedades modernas. Não obstante, o isolamento que decorre disso deveria acabar, cedo ou tarde, gerando o desejo e a necessidade de renovar o contato com os outros. Por outro lado, pode-se esperar que essa solitude leve cada um a se interiorizar mais e a se abrir finalmente para a Espiritualidade. [...]
[...] Pouco importam as idéias políticas, as crenças religiosas, as convicções filosóficas de cada um. Os tempos não estão mais para divisão, qualquer que seja sua forma, mas para a união; para a união das diferenças, a serviço do bem comum. Nisso, nossa Fraternidade conta em seu quadro com cristãos, judeus, muçulmanos, budistas, hinduístas, animistas e mesmo agnósticos. Reúne também pessoas que pertencem a todas as categorias sociais e representam todas as correntes políticas clássicas. Homens e mulheres nela têm um status de total igualdade e cada membro goza das mesmas prerrogativas. É essa unidade na diversidade que faz a pujança do nosso ideal e da nossa egrégora. Assim é porque a virtude que mais prezamos é a tolerância, isto é, precisamente, o direito à diferença. Isto não faz de nós sábios, pois a sabedoria abrange muitas outras virtudes. Consideramo-nos antes filósofos, ou seja, literalmente, “amantes da sabedoria”. [...]
Manifesto Rosacruz
[...] No que concerne à moral, no sentido que damos a esta palavra que se tornou ambígua, consideramos que ela está cada vez mais injuriada. Para nós ela não designa obediência cega a regras (para não dizer a dogmas) sociais, religiosas, políticas ou outras. Ora, é assim que muitos de nossos concidadãos percebem a moral dos nossos dias e daí vem sua atual rejeição. Consideramos antes que ela se relaciona com o respeito que todo indivíduo deveria ter para com ele próprio, os outros e o ambiente. O respeito a si mesmo consiste em viver segundo suas próprias idéias e não em se fundamentar nos comportamentos que se reprova nos outros. O respeito aos outros consiste, simplesmente, em não fazermos ao nosso semelhante o que não gostaríamos que ele nos fizesse, o que todos os sábios do passado ensinaram. Quanto ao respeito ao ambiente, ousamos dizer que ele vem naturalmente: respeitar a natureza e preservá-la para as gerações futuras. Vista sob esse ângulo, a moral implica um equilíbrio entre os direitos e os deveres de cada um, o que lhe dá uma dimensão humanística que nada tem de moralizadora. [...]
[...] No tocante às relações do Ser Humano com seus semelhantes, consideramos que elas são cada vez mais interesseiras e deixam cada vez menos lugar ao altruísmo. É verdade que se manifestam impulsos de solidariedade, mas isso acontece o mais das vezes fortuitamente, por ocasião de catástrofes (inundações, tempestades, tremores de terra, etc.). Em situações normais, é o cada um por si que predomina nos comportamentos. Pensamos que também essa ascensão do individualismo é uma conseqüência do materialismo excessivo que grassa atualmente nas sociedades modernas. Não obstante, o isolamento que decorre disso deveria acabar, cedo ou tarde, gerando o desejo e a necessidade de renovar o contato com os outros. Por outro lado, pode-se esperar que essa solitude leve cada um a se interiorizar mais e a se abrir finalmente para a Espiritualidade. [...]
[...] Pouco importam as idéias políticas, as crenças religiosas, as convicções filosóficas de cada um. Os tempos não estão mais para divisão, qualquer que seja sua forma, mas para a união; para a união das diferenças, a serviço do bem comum. Nisso, nossa Fraternidade conta em seu quadro com cristãos, judeus, muçulmanos, budistas, hinduístas, animistas e mesmo agnósticos. Reúne também pessoas que pertencem a todas as categorias sociais e representam todas as correntes políticas clássicas. Homens e mulheres nela têm um status de total igualdade e cada membro goza das mesmas prerrogativas. É essa unidade na diversidade que faz a pujança do nosso ideal e da nossa egrégora. Assim é porque a virtude que mais prezamos é a tolerância, isto é, precisamente, o direito à diferença. Isto não faz de nós sábios, pois a sabedoria abrange muitas outras virtudes. Consideramo-nos antes filósofos, ou seja, literalmente, “amantes da sabedoria”. [...]
Manifesto Rosacruz
Assinar:
Postagens (Atom)