Mergulho no vazio
Mergulhando no vazio para encontrar a si mesmo...
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Amizade
Em homenagem aos amigos.
Um jovem disse, Fala-nos da Amizade.
E ele respondeu, dizendo:
O vosso amigo é a resposta às vossas necessidades.
Ele é o campo que cultivais com amor e colheis com gratidão.
E é o vosso apoio e o vosso abrigo.
Pois ides até ele com fome e procurai-lo para terdes paz.
Quando o vosso amigo fala livremente, vós não receais o "não", nem retendes o " não".
E quando ele está calado o vosso coração não deixa de ouvir o coração dele;
Pois na amizade, todos os pensamentos, todos os desejos, todas as esperanças nascem e são partilhadas sem palavras, com alegria.
Quando vos separais de um amigo não fiqueis em dor, pois aquilo que mais amais nele tornar-se-à mais claro com a sua ausência, tal como a montanha, para
quem a escala, é mais nítida vista da planície.
E não deixeis que haja outro propósito na amizade que não o aprofundamento do espírito.
Pois o amor que só procura a revelação do seu próprio mistério, não é amor mas uma rede lançada que só apanha o que não é essencial.
E deixai que o que de melhor há em vós seja para o vosso amigo.
Já que ele tem de conhecer o refluxo da vossa maré, que conheça também o seu fluxo.
Pois para que serve o vosso amigo se só o procurais para matar o tempo?
Procurai-o também para viver.
Pois ele preencher-vos-à os desejos, mas não o vazio.
E na doçura da amizade que haja alegria e a partilha de prazeres.
Pois é nas pequenas coisas que o coração encontra a frescura da sua manhã.
O Profeta.
Gibran Khalil Gibran
terça-feira, 19 de julho de 2011
Ação Iluminada
Um monge chegou num mosteiro de um grande mestre Zen e disse, “O senhor pode me ensinar, pode me aceitar?”. “Pode ser, disse o mestre, o que você já fez?” disse o mestre. “Já treinei muito meditação, vou lhe mostrar”. Sentou-se rapidamente em posição de lótus com as pernas cruzadas e entrou em samadhi profundo em segundos. O mestre pegou um bastão e começou a surrá-lo expulsando-o do mosteiro e disse,”Buda de pedra já tenho muitos nesse mosteiro”. Não é isso que é desejável, a libertação não é apagar-se, não é morrer, é outra coisa completamente diversa disso. A libertação tem dentro de si a ação, ação iluminada.
Texto extraído de:
http://opicodamontanha.blogspot.com/2011/07/clareza.html
Texto extraído de:
http://opicodamontanha.blogspot.com/2011/07/clareza.html
terça-feira, 5 de julho de 2011
O Daime e o Dharma
Ciência sagrada
Da concentração
É firmeza na mente
Amor no coração
Antes de mais nada
É presta atenção
O compasso da vida
Na respiração
Tem grande silêncio
Aqui neste momento
Fechemos as portas
A todos pensamentos
Depois de isso feito
Com a mente serena
Há menos virtudes
Contra todos venenos
Venenos mentais
São os nossos apegos
E as emoções aflitivas
Que geram o medo
Olhando de frente
Tudo se resolve
Com a mente desperta
A ilusão de dissolve
Impermanência de tudo
É um assunto tão sério
São provas eternas
Do grande mistério
O sofrimento da vida
É uma grande aflição
Na nobre verdade
Está sua extinção
Medito no fundo
Do meu coração
Por todos os seres
Sinto compaixão
Aquilo que resta
É um grande vazio
Na luz destinada
É que está o caminho
Meu Deus me dê força
Pra passar neste teste
Busco refúgio no Buda
No Daime e no Mestre
Pad Alex Polari
Da concentração
É firmeza na mente
Amor no coração
Antes de mais nada
É presta atenção
O compasso da vida
Na respiração
Tem grande silêncio
Aqui neste momento
Fechemos as portas
A todos pensamentos
Depois de isso feito
Com a mente serena
Há menos virtudes
Contra todos venenos
Venenos mentais
São os nossos apegos
E as emoções aflitivas
Que geram o medo
Olhando de frente
Tudo se resolve
Com a mente desperta
A ilusão de dissolve
Impermanência de tudo
É um assunto tão sério
São provas eternas
Do grande mistério
O sofrimento da vida
É uma grande aflição
Na nobre verdade
Está sua extinção
Medito no fundo
Do meu coração
Por todos os seres
Sinto compaixão
Aquilo que resta
É um grande vazio
Na luz destinada
É que está o caminho
Meu Deus me dê força
Pra passar neste teste
Busco refúgio no Buda
No Daime e no Mestre
Pad Alex Polari
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Buscando o Grande Mestre
Após um bom tempo afastado daqui e de tudo o que isso representa pra mim, me senti inspirado novamente a trazer textos, músicas, pensamentos e ideias que me tocam de alguma maneira.
Aqui segue um conto budista, que encontrei no blog O Pico da Montanha.
Um dia, um jovem chamado Yang Fu deixou sua família e lar para ir a Sze-Chuan visitar o Bodhisattva Wu-Ji. Ele sonhou que junto àquele mestre poderia encontrar um grande tesouro de sabedoria. Quando já se encontrava às portas da cidade, após uma longa viajem cheia de aventuras, encontrou um velho senhor. Este lhe perguntou:
"Onde vais, jovem?"
"Vou estudar com Wu-Ji, o Bodhisattva." - respondeu o rapaz.
"Em vez de buscar um Bodhisattva, é mais maravilhoso encontrar Buddha."
Excitado com a perspectiva de encontrar o Grande Mestre, disse Yang Fu:
"Oh! Sabes onde encontrá-lo?!"
"Voltes para casa agora mesmo. Quando lá chegares, encontrarás uma pessoa usando uma manta e chinelos trocados, que lhe cumprimentará. Essa pessoa é o Buddha."
O rapaz pensou, aterrado: "Como posso retornar agora, quando estou às portas do meu objetivo? Eu teria que confiar muito no que este simples velho me diz". Então Yang Fu teve uma forte intuição de que aquele simples homem à sua frente era alguém de grande sabedoria. Num impulso, voltou-se para a estrada, sem jamais ter encontrado Wu-Ji. Ele retornou o mais rápido que pode, ansioso pela vontade de encontrar Buddha. Chegou em casa tarde da noite, e sua amorosa mãe, em meio à alegria e pressa de abraçar o filho que retornava ao lar, cobriu-se de uma manta usada e calçou seus chinelos trocados.
Olhando para sua mãe desse modo, que vinha sorrindo e pronta a abraçá-lo, Yang Fu atingiu o Satori. Este era o maior tesouro.
Texto extraído do blog O Pico da Montanha
Aqui segue um conto budista, que encontrei no blog O Pico da Montanha.
Um dia, um jovem chamado Yang Fu deixou sua família e lar para ir a Sze-Chuan visitar o Bodhisattva Wu-Ji. Ele sonhou que junto àquele mestre poderia encontrar um grande tesouro de sabedoria. Quando já se encontrava às portas da cidade, após uma longa viajem cheia de aventuras, encontrou um velho senhor. Este lhe perguntou:
"Onde vais, jovem?"
"Vou estudar com Wu-Ji, o Bodhisattva." - respondeu o rapaz.
"Em vez de buscar um Bodhisattva, é mais maravilhoso encontrar Buddha."
Excitado com a perspectiva de encontrar o Grande Mestre, disse Yang Fu:
"Oh! Sabes onde encontrá-lo?!"
"Voltes para casa agora mesmo. Quando lá chegares, encontrarás uma pessoa usando uma manta e chinelos trocados, que lhe cumprimentará. Essa pessoa é o Buddha."
O rapaz pensou, aterrado: "Como posso retornar agora, quando estou às portas do meu objetivo? Eu teria que confiar muito no que este simples velho me diz". Então Yang Fu teve uma forte intuição de que aquele simples homem à sua frente era alguém de grande sabedoria. Num impulso, voltou-se para a estrada, sem jamais ter encontrado Wu-Ji. Ele retornou o mais rápido que pode, ansioso pela vontade de encontrar Buddha. Chegou em casa tarde da noite, e sua amorosa mãe, em meio à alegria e pressa de abraçar o filho que retornava ao lar, cobriu-se de uma manta usada e calçou seus chinelos trocados.
Olhando para sua mãe desse modo, que vinha sorrindo e pronta a abraçá-lo, Yang Fu atingiu o Satori. Este era o maior tesouro.
Texto extraído do blog O Pico da Montanha
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Baile de máscaras
Acendem-se as luzes. De novo, um novo dia. No palco, o mesmo planeta de sempre. A peça em cartaz também é a mesma: “O baile de máscaras”. Os atores… Trimmmmm! Não dá mais tempo, já vai começar.
Toca o despertador, e o homem com máscara de empresário sai pela rua com os vidros do carro fechados. Seu sistema imunológico metaboliza títulos em ordem alfabética. A mão com máscara de coitada bate na janela, mas o chofer com máscara de fiel diz que hoje não. O farol abre. Na esquina, o velho com máscara de síndico conversa com a senhora com máscara de lamento. Ela recita seu texto chorosa e tranqüilamente, enquanto o velho com máscara de síndico balança a cabeça sem talento algum.
Na farmácia, alguém com máscara de farmacêutico atende o rapaz com máscara de doente. O cliente se irrita com o preço do calmante. Atravessa a rua e vai comprar cigarros na padaria do senhor que não queria fazer o papel de padeiro. Lá, muitos mascarados passam em rodízio; alguns por costume, outros por vício. Na hora do almoço, entra em cena o rapaz com máscara de garçom. Seu papel é servir o pernil com máscara de saboroso ao homem casado com a mulher com máscara de indiferente. Seus filhos, adolescentes, usam máscaras de quem não tem máscara.
As luzes vão caindo pela ribalta. Os mascarados disfarçam as curvas indesejáveis, retocam a idade com massa cosmética, e saem pelas sobras da noite, peregrinando de bar em bar, comprando gargalhadas com gotas de álcool. Crentes de que são autênticos, chegam ao clímax de quatro, inventando significados enciclopédicos pra palavra “amor”. Depois engolem as páginas junto com comprimidos. Do outro lado do balcão, alguém revela a verdade absoluta num longo arroto. De tão distorcido, soa natural. O som se propaga pelo salão-bar-de-beleza feito telefone-sem-fio, ampliando-se copo a copo.
Por fim, o mundo alcança o seu limite. Não há mais como suportar a pressão de viver pisando em ovos. O sol chega inevitavelmente. Os mascarados, então, voltam pelas ruas tentando arrancar o que já está grudado. Alguns desfalecem pelo caminho e resolvem dormir pra sempre nas praças. Outros, persistentes, chegam até suas casas e, de pijamas, sonham como seria dormir nus.
Marcelo Ferrari
Toca o despertador, e o homem com máscara de empresário sai pela rua com os vidros do carro fechados. Seu sistema imunológico metaboliza títulos em ordem alfabética. A mão com máscara de coitada bate na janela, mas o chofer com máscara de fiel diz que hoje não. O farol abre. Na esquina, o velho com máscara de síndico conversa com a senhora com máscara de lamento. Ela recita seu texto chorosa e tranqüilamente, enquanto o velho com máscara de síndico balança a cabeça sem talento algum.
Na farmácia, alguém com máscara de farmacêutico atende o rapaz com máscara de doente. O cliente se irrita com o preço do calmante. Atravessa a rua e vai comprar cigarros na padaria do senhor que não queria fazer o papel de padeiro. Lá, muitos mascarados passam em rodízio; alguns por costume, outros por vício. Na hora do almoço, entra em cena o rapaz com máscara de garçom. Seu papel é servir o pernil com máscara de saboroso ao homem casado com a mulher com máscara de indiferente. Seus filhos, adolescentes, usam máscaras de quem não tem máscara.
As luzes vão caindo pela ribalta. Os mascarados disfarçam as curvas indesejáveis, retocam a idade com massa cosmética, e saem pelas sobras da noite, peregrinando de bar em bar, comprando gargalhadas com gotas de álcool. Crentes de que são autênticos, chegam ao clímax de quatro, inventando significados enciclopédicos pra palavra “amor”. Depois engolem as páginas junto com comprimidos. Do outro lado do balcão, alguém revela a verdade absoluta num longo arroto. De tão distorcido, soa natural. O som se propaga pelo salão-bar-de-beleza feito telefone-sem-fio, ampliando-se copo a copo.
Por fim, o mundo alcança o seu limite. Não há mais como suportar a pressão de viver pisando em ovos. O sol chega inevitavelmente. Os mascarados, então, voltam pelas ruas tentando arrancar o que já está grudado. Alguns desfalecem pelo caminho e resolvem dormir pra sempre nas praças. Outros, persistentes, chegam até suas casas e, de pijamas, sonham como seria dormir nus.
Marcelo Ferrari
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